O processo de concessão do transporte coletivo urbano de Coronel Fabriciano foi encerrado sem receber propostas de empresas interessadas. A licitação, concluída nesta quinta-feira (21), foi declarada deserta pela administração municipal, ampliando a indefinição sobre o futuro do sistema de transporte público da cidade.
O edital previa uma concessão de dez anos, com contrato estimado em R$ 181,8 milhões. Entre as exigências estavam renovação da frota, acessibilidade total nos veículos, integração tarifária por uma hora, monitoramento via GPS e implantação de bilhetagem eletrônica. O critério para escolha da vencedora seria a menor tarifa ofertada.
Atualmente, o serviço é operado pelo consórcio Fabri Fácil em caráter provisório, já que o contrato anterior venceu em outubro de 2022. Desde então, a continuidade da operação vem sendo mantida por meio de decretos temporários renovados periodicamente pelo município.
Antes mesmo do encerramento da concorrência, a atual concessionária havia apresentado pedido de impugnação ao edital. Entre os principais questionamentos estavam o curto prazo para análise da documentação e possíveis inconsistências na modelagem econômico-financeira do contrato. A empresa alegou que os cálculos de demanda de passageiros estariam superestimados e poderiam comprometer a viabilidade econômica da concessão.
Nos bastidores, fontes ligadas ao setor apontam que a ausência de interessados estaria relacionada justamente à falta de atratividade financeira do edital. Entre os problemas apontados estão a tarifa máxima considerada baixa para os custos operacionais atuais, ausência de definição clara sobre subsídios públicos para gratuidades e projeções de demanda consideradas defasadas.
Mesmo diante dos questionamentos, a Prefeitura manteve o cronograma da licitação e negou a suspensão do processo. Em resposta oficial anterior ao encerramento do certame, a administração afirmou que os estudos técnicos haviam sido revisados e que o edital atendia às exigências legais e operacionais.
Com a licitação deserta, a tendência é que o transporte coletivo continue funcionando de maneira provisória até que um novo edital seja elaborado ou o modelo de concessão seja revisto. A indefinição preocupa usuários, principalmente em relação à qualidade do serviço, renovação da frota e possíveis reajustes tarifários futuros.





